Muito se fala de Nelson Rodrigues. Particularmente, eu já vi tantas referências e elogios escritos e falados por tanta gente respeitada que, mesmo sem ter lido nada de sua autoria (até então), eu já era um fã ‘inconsciente’.
Pois bem. Um dia desses numa livraria, enquanto olhava uns livros com minha mãe e minha irmã, vi na estante uma coleção de vários livros, uma compilação de textos de Nelson Rodrigues. Artigos, contos, e todo tipo de texto que ele escrevia para os periódicos de sua época.
Resolvi levar um. Achei o título interessante e provocante. Chama-se “Elas Gostam de Apanhar”.
O livro compreende uma seleção de 26 textos publicados na coluna chamada “A vida como ela é…”, entre os anos de 1951 e 1961, no Jornal Última Hora.
Cabe aqui um parêntesis para expor um texto introdutório ao livro, escrito pelo próprio Nelson Rodrigues e que trata exatamente dos principais aspectos de suas histórias:
“Alguém dirá que A vida como ela é… insiste na tristeza e na abjeção. Talvez, e daí? O homem é triste e repito: – triste do berço ao túmulo, triste da primeira à última lágrima. Nada soa mais falso do que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio. Pode-se dizer ainda que é triste A vida como ela é… – porque o homem morre. Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer. Há gêneros alegres, eu sei. Fala-se em “teatro para fazer rir”. Mas uma peça que tenha essa destinação específica é tão absurda, obscena, como o seria uma missa cômica.
Agora o aspecto da sordidez. Nas abjeções humanas, há ainda a marca da morte.
Sim, o homem é sórdido porque morre. No seu ressentimento contra a morte, faz a própria vida com excremento e sangue”.
O livro vale por esse trecho. Sobre os 26 textos, há muitos aspectos interessantes. É a vida como ela é. Sem idealizações.
Porém, em determinado momento a fórmula de Nelson Rodrigues parece se tornar óbvia. Isso tornou o livro um pouco decepcionante. Confesso que esperava um pouco mais pelo título, pela introdução. É óbvio que a obra do escritor é muito maior do que alguns contos compilados. Acho que há muito a conhecer de Nelson Rodrigues.
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Post scriptum: O texto não tem pretensões de ser uma resenha, resumo ou parecido. Apenas traz uma impressão. É um suspiro para o blog há um bom tempo sem respirar. Leiam as aspas e joguem o resto no lixo.
Ao som de: Good Bye Lenin Soundtrack – Yann Tiersen