Constatações sintomáticas

A leveza me ataca a mente; o peso o estômago.

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Carta a um condenado

O que herdas, enfim, da infância? Céu, azul, nuvens, cinza, estrelas, sol, chuva, vento, sensação de liberdade, de felicidade etc. Legado que te permite rememorar, só ou acompanhado, daquilo que viveste, que fizeste, que não fizeste, mas que de alguma maneira é infinito na tua memória, como algo que foi bom. Legado (com o perdão da anáfora) que, à margem deste belo rio de lembranças, dá trela ao velho e baixo saudosismo pelo qual se paga menos que a um pingado num pé-sujo. Saudosismo este, que é velho porque há de ser velho para lograr existir. E é baixo. Torpe. Não para com teus co-habitantes a que chamas de crianças. Pensas que a juventude, aquela com a tábula rasa, se importa e mesmo, perde o sono, por conta de achares que os tempos idos eram melhores? Pondera melhor, pedante. Faze isso que te digo e passarás a não dormir tu. Perderás o sono e a temperança quando constatares que quem nasceu depois de ti, não 100 ou 50 anos, apenas, mas mesmo cinco, não dá a mínima às tuas memórias tão estimadas, guardadas com pó e traças numa gaveta emperrada de um móvel de madeira pesado (nada parecido com esses de MDF). Percebe que sempre chorarás e agonizarás sozinho e inutilmente o fim da vida e o começo da morte. Sabes por que essas pestes infantis não choram e não se importam com TEU tempo? Porque são crianças e SEU tempo (o delas) é perfeito. Vê. Elas correm atrás dos pombos. É provável que tu aches pombo um bicho nojento. Vê? Elas não acham. Não sabem o que é tristeza, portanto, deduzo, não sabem o que é felicidade. Apenas e, por hora, vivem. Entende, meu caro. Vivem para se recordar da vida ulteriormente. Como tu. Entende? Correm para a vida, no tempo em que tu, covarde, corre da morte. Ademais, não há escapatória nem pra ti nem para elas. A qualquer tempo tu começas a morrer. Por volta da maioridade… costuma variar;

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“XLVII.
Minha história
Nota do editor. <<Ainda não foram achadas as folhas que eram a continuação desta. Talvez, como as que seguem parecem indicá-lo, o condenado não tenha tido tempo de escrevê-las. Já era tarde quando lhe veio a idéia (sic).>>”
(Le dernier jour d’un condamné, V.H.)

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Vai meu irmão.

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Dedicatória

Saiba bem, alhures se encontra a sórdida, leviana e de passagem felicidade.

Dedicado à natureza humana; má.

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Apenas para dividir com o(s) meu(s) [escassos] leitor(es)

Supertramp

The Logical Song

When I was young, it seemed that life was so wonderful,
a miracle, oh it was beautiful, magical.
And all the birds in the trees, well they’d be singing so happily,
joyfully, playfully watching me.
But then they send me away to teach me how to be sensible,
logical, responsible, practical.
And they showed me a world where I could be so dependable,
clinical, intellectual, cynical.

There are times when all the world’s asleep,
the questions run too deep
for such a simple man.
Won’t you please, please tell me what we’ve learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am.

Now watch what you say or they’ll be calling you a radical,
liberal, fanatical, criminal.
Won’t you sign up your name, we’d like to feel you’re
acceptable, respectable, presentable, a vegetable!

At night, when all the world’s asleep,
the questions run so deep
for such a simple man.
Won’t you please, please tell me what we’ve learned
I know it sounds absurd
but please tell me who I am

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Além de aprazível musicalmente, cada vocábulo parece não ter sido em vão.

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Peso

Vertigem. Um imenso desejo de cair.

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“Uma gota transbordaria o desguarnecido e módico recipiente que outrora guardara em si todo o universo. O fragor infatigável ateado pelo mundo sensível macula a essência, desencaminha a mente.”

“Sinto-me esvaziado. Até a solidão e a tristeza abjuraram.”

“Life is a tale

Told by an idiot, Full of sound and fury, Signifying nothing” (Macbeth, V, 9).

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Um pouco de madrugada

The grass was greener

The light was brighter

The taste was sweeter

The nights of wonder

With friends surrounded

The dawn mist glowing

The water flowing

The endless river

Forever and ever

…….

O bom e velho inevitável saudosismo.

Post antigo de blog antigo; sem querer. Não parece, mas as noites são sempre as mesmas.
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Ensaio sobre a incerteza agônica

/dos Fins

Enfim, de quais meios servir-se?

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/da Infraestrutura

Suster-se-á a superestrutura ortodoxa?

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/da Imobilidade ou Inércia

É a vida insofismável?

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/acerca do Relativo

A ablução em água sagrada é um ato insidioso cometido contra o neófito inerme. É, outrossim, inócuo e costumeiro.

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/a Maior Dúvida

É, [algo], saciável?

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/da Aflição

Chorar faz diferença?

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A vida é assim.

Muito se fala de Nelson Rodrigues. Particularmente, eu já vi tantas referências e elogios escritos e falados por tanta gente respeitada que, mesmo sem ter lido nada de sua autoria (até então), eu já era um fã ‘inconsciente’.

Pois bem. Um dia desses numa livraria, enquanto olhava uns livros com minha mãe e minha irmã, vi na estante uma coleção de vários livros, uma compilação de textos de Nelson Rodrigues. Artigos, contos, e todo tipo de texto que ele escrevia para os periódicos de sua época.

Resolvi levar um. Achei o título interessante e provocante. Chama-se “Elas Gostam de Apanhar”.

O livro compreende uma seleção de 26 textos publicados na coluna chamada “A vida como ela é…”, entre os anos de 1951 e 1961, no Jornal Última Hora.

Cabe aqui um parêntesis para expor um texto introdutório ao livro, escrito pelo próprio Nelson Rodrigues e que trata exatamente dos principais aspectos de suas histórias:

“Alguém dirá que A vida como ela é… insiste na tristeza e na abjeção. Talvez, e daí? O homem é triste e repito: – triste do berço ao túmulo, triste da primeira à última lágrima. Nada soa mais falso do que a alegria. Rir num mundo miserável como o nosso é o mesmo que, em pleno velório, acender o cigarro na chama de um círio. Pode-se dizer ainda que é triste A vida como ela é… – porque o homem morre. Que importa tudo o mais, se a morte nos espera em qualquer esquina? Convém não esquecer que o homem é, ao mesmo tempo, o seu próprio cadáver. Hora após hora, dia após dia, ele amadurece para morrer. Há gêneros alegres, eu sei. Fala-se em “teatro para fazer rir”. Mas uma peça que tenha essa destinação específica é tão absurda, obscena, como o seria uma missa cômica.

Agora o aspecto da sordidez. Nas abjeções humanas, há ainda a marca da morte.

Sim, o homem é sórdido porque morre. No seu ressentimento contra a morte, faz a própria vida com excremento e sangue”.

O livro vale por esse trecho. Sobre os 26 textos, há muitos aspectos interessantes. É a vida como ela é. Sem idealizações.

Porém, em determinado momento a fórmula de Nelson Rodrigues parece se tornar óbvia. Isso tornou o livro um pouco decepcionante. Confesso que esperava um pouco mais pelo título, pela introdução. É óbvio que a obra do escritor é muito maior do que alguns contos compilados. Acho que há muito a conhecer de Nelson Rodrigues.

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Post scriptum: O texto não tem pretensões de ser uma resenha, resumo ou parecido. Apenas traz uma impressão. É um suspiro para o blog há um bom tempo sem respirar. Leiam as aspas e joguem o resto no lixo.

Ao som de: Good Bye Lenin Soundtrack – Yann Tiersen
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Sem título

Apenas algumas considerações hodiernas do meu ser

Apenas quero lembrar da beleza das doces e ruças manhãs, as bucólicas tardes, as frias e estreladas noites da infância. O desesperador sentimento do mutável e da necessidade da mudança (ao mesmo tempo tão desejada e tão reprimida).  O lamentável estado de ócio, solidão e apatia de uma erma noite de sexta-feira. A potencial falsa crise existencial comum aos desiludidos. A potencial falsa crise existencial causada por uma nova ilusão. O inviolável e indestrutível tempo. Mais do que tudo, a inspiração da iminente vontade de viver.

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